Um vestido, um espelho e uma mãe
- Jornalismocdh

- 6 de ago. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de ago. de 2019

Descrição para cegos: Grades de uma porta aberta mostram o interior vazio de uma cela tendo uma parede suja ao fundo.
Por Tulyo Freire Lopes
O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com aproximadamente 730 mil pessoas presas. Cada um desses indivíduos, representados por um número tão avassalador, sofrem constantemente com o dia a dia na prisão. Todavia não é somente o preso que está à mercê das celas, mas também famílias, esposas e mães que sofrem juntas com o descaso do sistema penitenciário brasileiro.
A seguir está a voz de uma mulher, que como milhares de mães luta por melhores condições de vida para seu filho. Ela não está atrás de grades, mas se torna refém de um sistema desumano e humilhante. Nos fala dos problemas que existem nas celas e fora delas, na má estruturação dos presídios brasileiros e do labor de ser mãe de um criminoso, mas ainda assim, mãe.
P: Como é ser mãe de um presidiário?
R: Preocupante e triste, muito dolorido.
Devido a tudo que uma mãe passa para ter que ver um filho, por ele ter cometido um crime. O filho erra e é como se a mãe errasse também. Mulheres que lutam, trabalham, tem família, tem dignidade, mas quando chegam à porta de um presídio pedem todos seus direitos.
P: Como a senhora é tratada nas visitas?
R: Podemos sentir através dos olhos deles, os seguranças nos veem como uma traficante, como uma criminosa, porque está indo ver alguém preso. Para a sociedade nossos filhos não valem nada.
P: Como foi a sua primeira visita?
R: Foi muito triste. Na primeira vez tive que tirar toda a roupa, tinha um espelho em baixo das minhas pernas e quando os guardas suspeitavam de algumas mulheres mandavam abaixar mais. Outras eram obrigadas a forçar um pouco para abrir as partes intimas. Entravamos de cinco em cinco, e todas tiravam as roupas uma na frente das outras. Hoje existe a maquina de raios-X, entramos numa cabine com esteira e uma luz vermelha é acesa. Só é permitida a entrada usando vestido, calça legging, um top cor de pele e uma sandália branca. Por vezes levantam nossos vestidos ou pedem raramente para tirarmos a calcinha.
P: Como você olha para um presidio?
R: É um lugar sem dignidade. Eles não são recuperados, apenas pagam a pe




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