Síndrome de burnout: esgotamento profissional pode ser doença
- Jornalismocdh

- 2 de ago. de 2019
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Atualizado: 23 de ago. de 2019

Descrição para cegos: Manequim sendo esmagado por pedras, representando o peso do esgotamento. Foto: Reprodução
Por Izadora Melo Rodrigues
Em maio de 2019 a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a síndrome de burnout na próxima edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que é uma publicação da OMS que envolve doenças e problemas relacionados à saúde e passa a valer a partir de 2022. A síndrome de burnout não é considerada uma doença, mas uma condição de saúde. Chama-se síndrome por ter uma série de sintomas característicos e pode ter mais de uma causa.
A expressão burnout é original da língua inglesa e significa esgotamento ou combustão completa. O burnout também é conhecido como esgotamento profissional e as pessoas com essa síndrome costumam se sentir exaustas. Os sintomas muitas vezes podem desencadear ou já estarem associados à depressão e ansiedade.
A síndrome de burnout é chamada também de síndrome do mundo moderno e isso está muito associado ao ritmo frenético da sociedade capitalista de estar sempre produzindo. Esse cenário faz que algumas pessoas cheguem a trabalhar até 20 horas por dia, o que definitivamente é uma condição de trabalho que não é saudável e que gera muito estresse (categoria de problema de saúde onde o burnout está inserido).
Os brasileiros são muito atingidos por essa síndrome e segundo dados do International Stress Management Association (ISMA-BR), associação internacional que estuda estresse e na qual o Brasil é membro, 32% dos trabalhadores brasileiros são atingidos pela síndrome, o que corresponderia a aproximadamente 33 milhões de pessoas. Comparando com outros países, o Brasil tem índice semelhante ao da Inglaterra, onde um a cada três trabalhadores tem a síndrome. Mesmo na Alemanha, país que é conhecido por ter carga horária reduzida em comparação aos outros países desenvolvidos, o burnout chega a atingir 8% dos trabalhadores.
No Brasil, a falta de produtividade causada pela exaustão gera prejuízo de 3,5% ao Produto Interno Bruto (PIB), tornando a síndrome de burnout não apenas um mal aos indivíduos que sofrem com ela, mas também a sociedade como um todo. Se as condições de trabalho fossem mais dignas a todos os trabalhadores, talvez as pessoas fossem mais saudáveis e, consequentemente, mais produtivas.
O principal sintoma dessa síndrome é a sensação de esgotamento (tanto físico quanto emocional), que normalmente resulta em ausências no trabalho. Pessoas com essa síndrome relatam que o esgotamento é tanto que elas se tornam incapazes de fazer coisas que normalmente seriam mínimas, como levantar da cama ou decidir que marca de leite vai comprar. Irritabilidade, lapsos de memória e dificuldade de concentração são sintomas muito comuns. Agressividade e distúrbios gastrointestinais podem estar relacionados ao burnout, mas são sintomas que nem sempre aparecem.
O tratamento e diagnóstico é feito por psiquiatras ou psicoterapeutas, mas também é recomendado o tratamento com nutricionistas. O afastamento do trabalho é essencial no tratamento da síndrome. Se constatada por meio de avaliação médica o trabalhador pode requisitar, a partir do décimo sexto dia de atestado, a realização de perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Caso seja atestada a incapacidade de executar trabalho, é concedido um benefício previdenciário para realização do tratamento.

Burnout, junto com a depressão, é a doença psicológica que mais precisa ser abordada pela mídia, por que atinge tanta gente. Precisa-se conscientizar sobre isso! Obrigada pelo texto, como já te disse pessoalmente, está muito bom.
Muito informativo. Adorei!