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‘’Se não fosse o SUS, não estaria em transição’’

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 27 de ago. de 2019
  • 2 min de leitura

📷 Descrição para cegos: bandeira trans. Cinco faixas horizontais. Em cores, na ordem, azul, rosa, branco, rosa e azul. Foto: Google


Por Brenda Alane


Inaugurado em 24 de Julho de 2013, o ambulatório TT (Transexuais e Travestis) está localizado no Hospital Clementino Fraga, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. No ano de 2019, de acordo com publicação feita em maio pelo Governo da Paraíba, o ambulatório já atendeu mais de 5 mil pessoas transexuais e travestis desde a sua implantação. ‘’Se não fosse o ambulatório, eu não teria começado a hormonização nem tão cedo’’ afirmou Iure Gabriel, 20 anos.

Residindo em João Pessoa, Iure conheceu o ambulatório através do espaço LGBT, localizado no Centro da cidade, onde fazia acompanhamento psicológico. Antes de começar o processo de transição, Iure participou de reuniões e consultas com psiquiatra, para, enfim, ser direcionado para o endócrino do ambulatório, o que durou 6 meses. Alguns dos pacientes estão sendo atendidos regularmente desde o início, como Afonso Miguel, 25 anos, acompanhado há quase 4 anos e outros, que aguardam ansiosamente pela primeira consulta, como Frederico Guimarães, vindo de Natal\RN, e terá seu primeiro contato com o endócrino no final do mês de Agosto.

Frederico ficou sabendo sobre o ambulatório através de pesquisas online e indicações de amigos. Antes de vir à João Pessoa para começar o processo de transição pelo SUS, através do ambulatório, ele juntou, por mais de 6 meses, dinheiro para que pudesse iniciar a hormonização pela rede particular, o que, após algumas consultas, tornou-se impossível; permaneceu por meses de consultórios em consultórios, sem sucesso. Ele afirma que ao chegar no ambulatório sentiu-se protegido: ‘’é acolhedor, pois no local você tem total respeito e liberdade de ser quem você é sem correr riscos de agressões psicológicas/físicas, além do tratamento que não nos constrange, diferente de muitos ambientes de saúde particulares que frequentei aqui em Natal. E, principalmente, pelo apoio, pois é muito importante lidar com nossa saúde através de políticas públicas voltadas especialmente a comunidade trans", relata.

Muitas pessoas transgênero são rejeitadas pelos familiares, impedindo, assim, o apoio necessário durante todo o processo de entendimento e aceitação. Dessa forma, essas pessoas, ao iniciarem a transição, não podem arcar com os custeios dos exames e hormônios. Através do SUS é possível a realização dos exames necessários para a inicialização do processo transitório. Porém, pelo ambulatório, ainda não é viável a distribuição gratuita dos hormônios: ‘’a distribuição dos remédios seria uma qualidade a mais no quesito saúde, a comunidade trans teria total acesso e controle sobre sua transição. Sem precisar pular doses. Melhoraria a saúde não só física, mas, principalmente, psicológica’’ diz Afonso.

De acordo com o gerente responsável pelo ambulatório TT, Sérgio Araújo, a disponibilidade dos medicamentos de forma gratuita ainda é um objetivo a ser alcançado: "o ambulatório não é habilitado na parte farmacológica, como os de São Paulo e Rio de Janeiro. Ainda mais agora, com os cortes federais, torna-se mais distante a viabilização desses medicamentos gratuitos. E, sinceramente, não sabemos se isso vai acontecer, mas, estamos lutamos por isso’’, destaca.

Pessoas transexuais, travestis ou familiares podem procurar o ambulatório pessoalmente, na Rua Estér Borges Bastos, no bairro de Jaguaribe, de segunda a sexta das 07h às 12h e de 13h às 17h.

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1 comentário


Ângela Duarte
Ângela Duarte
28 de ago. de 2019

Muito feliz em saber que existe esse tipo de serviço no SUS <3

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