Representatividade no Cinema
- Jornalismocdh

- 24 de set. de 2019
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📷 Descrição para Cegos: duas mulheres se beijando; cena do filme “Mädchen in Uniforme”, conhecido como o primeiro filme a possuir um beijo lésbico. Foto: Reprodução
Por Aldo Júnior e Brenda Alane
É de conhecimento geral que, no final do século XIX, alinhado ao surgimento do cinema, o sujeito homossexual foi inventando-se cada vez mais. O primeiro beijo entre dois homens foi protocolado no filme “Wings”, em 1927, premiado como vencedor na categoria de Melhor Filme no Oscar. Quatro anos depois, em 1931, o mundo cinematográfico entrou em contato com o primeiro beijo entre duas mulheres em um filme: “Mädchen in Uniforme”. Entretanto, bem antes disso, cenas com alusões à temática gay já podiam ser assistidas em filmes de Chaplin, por exemplo.
Toda essa representatividade LGBT, nos anos de 1940, foi ficando cada vez mais desacreditada: isso porque, nos Estados Unidos, que coincidentemente era a maior potência no mundo na exportação de filmes, foi implantado o Código de Hays, documento responsável por ditar todas as regras de “bons costumes” nas telas de cinema; ele condenava cenas que contivessem beijos de língua, nudez, sedução, obscenidade e profanação, sendo a homossexualidade encaixada nestes dois últimos termos.
Em recente pesquisa do IMDB, maior portal de dados relacionados a cinema no mundo, sobre filmes com temática LGBT, foi descoberto que dos mais de 4.200 filmes citados, somente 1.000 foram feitos antes de 1996. Foi apenas nos anos 2000 que observou-se um verdadeiro aumento na criação de filmes com esse tema, sendo o sujeito homossexual representado em todas suas formas de diversidade.
Segundo Fábio Silveira, jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista na área de cinema e música, os filmes com temática LGBT só foram ser produzidos há uma década e meia. “Se for analisar com critérios severos, é possível afirmar que o mundo possui apenas uma década e meia de produção de filmes que falam sobre os mais diversos aspectos que envolvem a homossexualidade”, conta.
Neste ano, o Oscar 2019 foi marcado como o Oscar com as indicações mais representativas de todas suas 91 edições. Dos 8 indicados para a categoria de melhor filme - uma das principais categorias -, 4 são relacionados a comunidade LGBT: A Favorita, Green Book, Bohemian Rhapsody e Nasce Uma Estrela. O Oscar é uma das principais cerimônias de premiação cinematográfica do mundo e é organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
“A lista de indicados representa um maravilhoso ano para a inclusão dos LGBT’s em filmes, e uma sinal que os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas estão dando prioridade a diversidade em um momento em que a crítica cobra essa posição. A diversidade deve ser celebrada e com certeza vai ocasionar filmes com mais inclusão”, afirma Kate Ellis, presidente da Gay and Lesbian Aliance Against Defamation (GLAAD), em entrevista a imprensa.
Mesmo que o número de representatividade LGBT tenha crescido, ainda é preciso atentar-se ao fato de que muitos filmes da temática ainda não dão espaço à personagens transgêneros e/ou negros. Em dados obtidos através de um relatório da GLAAD, em 2018, dos 110 filmes vindos dos sete maiores estúdios de Hollywood, 20 contavam com personagens LGBT, porém nenhum deles possuíam personagens transgêneros e poucos possuíam atores negros protagonizando os mesmos.
“Estamos monitorando o espaço todos os dias e mantendo os olhos abertos. Agora estamos atentos a grandes oportunidades para mais personagens LGBT nos filmes que foram recentemente anunciados e que estão chegando”, afirmou Mega Townsend, diretora de pesquisas da GLAAD, em entrevista a E!.
Mostrar a imagem dessas minorias para o público, através do cinema, acaba aproximando-os de realidades que nunca foram bem representadas e até hoje são alvos de muitos preconceitos e estereótipos.


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