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‘’Comecei a ver vídeos sobre pessoas trans e eu disse: É isso!’’

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 29 de jul. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 23 de ago. de 2019


Descrição para cegos: Iure aparece no centro da imagem, ele usa óculos e está sorrindo.


Por Brenda Alane


Li em algum site na Internet certa vez que o número de nascimentos no mundo por minuto é cento e oitenta, segundo a ONU. Que quem nasce mais são os homens e quem mais morre também, tem a ver com a violência. Comecei a pensar em quantos desses homens são cis, que se reconhecem com o gênero de nascimento, que tipo de violência seria e quais os fatores que desencadearam essas mortes. No mesmo segundo me peguei pensando em Iure, Jonatas, Lucca, Gabriel e tantos outros homens trans que permanecem vivos. Resolvi pesquisar mais e vi que o Brasil é líder no ranking de assassinatos de pessoas trans, que, somente em 2018, foram cento e sessenta e três. Um ano tem trezentos e sessenta e cinco dias. É quase a metade do ano de sangue derramado por ser quem se é.

E hoje, apresento Iure Gabriel.

Regido por Vênus, Iure é libriano. Nascido no Rio de Janeiro e crescido na Paraíba, chamado carinhosamente de Caristino por mim, uma mistura de carioca com nordestino. Vive lá e cá. Não para quieto. Nossa conversa aconteceu na tarde de uma quarta-feira, na biblioteca da Universidade Federal da Paraíba. Ele vestia uma blusa cinza, sua cor favorita, e uma bermuda preta, que eu escolhi. Encontramos uma parede amarela perfeita para a gravação do vídeo, diga-se de passagem, minha cor predileta. Ajustamos a câmera e começamos a gravar. ele contou sobre sua relação com a família, com os amigos e consigo, como se viu homem trans pela primeira vez, após 20 anos vivendo em conflito em um corpo que não reconhecia como seu: ‘’Eu não gostava de me ver no espelho e eu queria mudar aquilo. Hoje eu vejo coisas no meu corpo que eu não sabia que tinha.’’

Falar sobre como foi todo o processo da descoberta, aceitação e reconhecimento de Iure como pessoa trans, sempre traz à tona todos os dias de angústia e desespero dos quais ele não irá esquecer. Apesar disso, a cada dose de testosterona e todas as vezes que alguém grita ‘’IURE’’, todo o processo vale para ele.


Clique no link abaixo e conheça mais sobre Iure: https://youtu.be/gwQGggJWLxQ


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1 comentário


Ângela Duarte
Ângela Duarte
28 de ago. de 2019

Sou fascinada por esse teu trabalho, brenda. Pra mim, o melhor da cadeira inteira.

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