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O movimento antivacina é perigoso e irresponsável

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 29 de jul. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Sarah Macedo Freire


Há uma lista disponibilizada anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em que são enumeradas as dez maiores ameaças à saúde mundial. Junto a vírus como o ebola e HIV, a “hesitação em vacinar” está justificada por “ameaçar reverter o progresso feito no combate às doenças evitáveis por meio de vacinação”. Segundo a OMS, aproximadamente três milhões de mortes anuais são evitadas por meio da vacinação, além dos custos para tratamento de doenças virais. Alega também que, se a cobertura das áreas de vacinação fosse melhor, outro milhão e meio de mortes poderia ser evitado.

Um caso emblemático de pessoas contra a vacinação foi o do jovem estadunidense Jerome Kunkel, do estado do Kentuck, que processou a escola após ser suspenso por contrair catapora. Em março deste ano, o colégio Our Lady of Sacred Heart/Assumpation Academy, na cidade de Walton, decidiu suspender todos os alunos que não aderissem à campanha de vacinação imposta pelo Departamento de Saúde. Aproximadamente 32 alunos foram impedidos de entrar, e Jerome deixou de ser o capitão do time de basquete.

Pouco depois de se recusar a tomar a vacina, Jerome contraiu catapora. De acordo com a família Kunkel, vacinas são “imorais, ilegais e pecaminosas”. Ele perdeu a ação contra a escola, pois o juiz argumentou que a saúde coletiva não pode ser colocada em risco por causa da crença pessoal de alguém.

A resolução do caso de Jerome é o exemplo perfeito do motivo pelo qual algumas doenças evitáveis, como catapora e sarampo, passaram a atingir mais pessoas nos últimos anos: às vezes, as crenças de certas pessoas são colocadas acima da saúde coletiva, o que pode fazer com que outras pessoas morram em decorrência da infecção.

Em uma matéria do jornal BBC, o médico oncologista Drauzio Varella diz que “o movimento antivacina é criminoso”, pois ele facilita a propagação de doenças que poderiam ser banidas através da vacinação. Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal da poliomielite em 2012 era de 96,5%; em 2018, 86,3%.

Não é de se admirar que doenças evitáveis tenham voltado e possam ser fatais. Quando uma parte da sociedade se coloca à frente da outra e cria um círculo sem imunidade, ele pode atingir outros que não têm a possibilidade de se vacinar — e aqui é possível abrir um leque de debates sobre o elitismo da escolha de ser antivacina — e aumentar o número de casos até que se mostre em dados: desde o início do ano, 35 mil pessoas foram infectadas por Sarampo nas Filipinas. Uma jovem chamada Arlyn B. Calos perdeu dois filhos no ano passado, vítimas da doença, depois de acreditar em fake news sobre vacinação e decidir por não obedecer às campanhas do governo. Mesmo na chamada Era da Informação, há uma rede de desinformação muito grande.

O mundo parece ter entrado em uma contradição por si só. Quando um grupo grande de pessoas acredita em boatos propagados nas redes sociais e decide não obedecer a indicações de órgãos especializados em saúde pública, ele não está apenas “boicotando” ou seguindo as próprias crenças: está colocando em risco um grupo maior e possivelmente mais frágil, como seria o caso de moradores de periferia e interiores de estados.

Com o aumento do número de pessoas aderindo ao obscurantismo quando se trata de vacinação e prevenção de doenças, as já erradicadas podem voltar e fazer mais vítimas. Apesar das informações estarem a apenas um toque de distância, elas não são democraticamente distribuídas nem chegam à toda a população, o que pode facilitar a crença em supostas doenças espalhadas pelas vacinas — como a suposição que vacinas para gripe estão ligadas ao autismo, o que já foi negado pela ciência.

A questão é: quando pessoas decidem não seguir e se proteger, elas estão deliberadamente decidindo colocar outras em perigo. Quando se compreende que a erradicação de doenças evitáveis necessita de todo o esforço de toda a população, entende-se que o problema vai muito além: decidir não se vacinar nem vacinar os filhos é um problema de falta de informação e egoísmo, além de elitismo. E não há nada mais violento que colocar a vida de outras pessoas em risco por crenças próprias.

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