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“O futuro é feminino”?: As mulheres e a política na Paraíba

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 6 de ago. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de ago. de 2019


Descrição para cegos: Em primeiro plano, a deputada estadual Cida Ramos, a prefeita do Conde Marcia Lucena e a deputada estadual Estela Bezerra. Em segundo plano, um fundo-fantasia com figuras que remetem alegoricamente à trajetória política: livros, uma planta com semente germinando, relógio, a imagem de um antigo protesto pelo direito das mulheres e o mapa do estado da Paraíba.


Por Ana Lívia Macêdo


Um vídeo sobre política no YouTube. Não qualquer vídeo, mas um vídeo sobre política feito no canal do YouTube da Jout Jout. Esse foi o estopim para o alcance nacional da prefeita do Conde Marcia Lucena. Até o início do segundo semestre deste ano, o vídeo já contava com mais de 300 mil visualizações, 45 mil likes e 5 mil comentários. Nele, Marcia é apresentada como uma representante de um modelo de gestão político-pedagógico e entende a importância de ser uma figura feminina nesse espaço de poder.

Ainda que a Paraíba seja o sexto estado com maior número de mulheres nesse cargo, Marcia é apenas uma dentre as 39 outras prefeitas, em um universo de 183 municípios paraibanos, todos os outros 144 são administrados por homens.

A presença de mulheres na política paraibana parece promissora. Desde a última eleição, em 2018, nunca se viu tantas mulheres em santinhos distribuídos nas ruas, nas propagandas televisionadas e nas divulgações em redes sociais. Além disso, foi possível vê-las alcançarem grandes conquistas: Daniella Ribeiro, a primeira mulher eleita senadora do estado, ou Cida Ramos, a deputada estadual mais votada da história da Paraíba. Nesse caso, uma vitória dupla por ser mulher e deficiente física. Forçou uma mudança ao promover a readaptação do espaço da Assembleia da Paraíba para atender às demandas de acessibilidade física, não só suas, mas de cerca de 8% da população do estado, que possui alguma limitação locomotora. Estela Bezerra é, também, figura importante, que saiu do seio da militância para figurar na comissão de Constituição e Justiça.

No entanto, não se pode esquecer que não houve uma só mulher a ser governadora da Paraíba. Só uma mulher se tornou senadora do estado na última eleição. Só uma mulher obteve vaga para o cargo de deputada federal. Só cinco deputadas estaduais foram eleitas.

Em contrapartida, os homens continuam sendo maioria em todos os cargos políticos. Continuam sendo dez vezes o número de deputadas federais. Continuam sendo seis vezes o número de deputadas estaduais. A Paraíba ainda é um estado que traz heranças enraizadas de políticas coronelistas e oligárquicas. O Estado, seja em sua esfera local ou nacional, continua sendo homem, branco e heterossexual.

Esse é um pensamento que foi defendido por Rama Dantas, a única mulher candidata ao Governo do estado nas últimas eleições. Em meio a articulações políticas que interferem também no tempo de propaganda televisionada, a professora usou seus poucos segundos para dizer, “Essa democracia é uma farsa. Precisamos fazer uma revolução!”.

Para além de um discurso inflamado de segundos na tevê, essa é uma ideia que encontra respaldo. O espaço conquistado por mulheres na política paraibana é de muito suor e sofrimento daquelas que vieram antes e, mesmo assim, ainda reforça uma lógica de exploração e subserviência do gênero feminino. Rever, renovar e reformar o sistema político com a presença de mulheres é um exercício contínuo e necessário para a própria democracia.

São mulheres, como todas as citadas acimas e muitas outras que ainda não tiveram espaço político, que são capazes de colocar em pauta e contemplar demandas femininas que por muitos anos foram silenciadas nesses espaços de poder.

A presença de mulheres na política, muito além da mera representatividade, leva em consideração que existem mulheres fortemente capacitadas para administrar municípios ou reorganizar o funcionamento público. Desde 1932, no Brasil, elas têm o direito ao voto. Atuar, exercer e exigir esse direito é fundamental. Garantir que estejam em todos os espaços públicos é uma questão de direito fundamental, de direito humano. 

Pode-se perceber que existem perspectivas positivas para o futuro político feminino. Como consequência da organização das mulheres, que têm ido às ruas pela manutenção e ampliação de seus direitos, há a tendência ao crescimento no cenário político, inclusive nas próximas eleições municipais de 2020. Sejam no cargo de prefeitas, inspiradas por nomes como Marcia Lucena, ou no cargo de vereadora, existem mulheres capacitadas e existem, principalmente, mulheres suficientes para votar nelas.

O coeficiente de mulheres votantes, só na Paraíba, alcança a marca de 52%. Se cada mulher votasse em outra mulher, por acreditar em sua competência, seria possível haver um cenário político mais alinhado à realidade social. Seria possível não só enxergar um futuro, mas um presente feminino.

1 comentário


Josuel Belarmino
Josuel Belarmino
07 de ago. de 2019

O futuro é feminino!!!! Excelente matéria 💛✌️

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