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O diário de uma gestação nas telonas

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 23 de ago. de 2019
  • 2 min de leitura

Descrição Para Cegos: Uma mulher grávida pegando e admirando sua barriga. Fonte: Imagem retirada do filme


Por Isabelly Barreto


Olmo e a Gaivota é uma obra cinematográfica que permeia a dualidade entre ficção e realidade. O longa-metragem, dirigido pela brasileira Petra Costa e pela dinamarquesa Lea Glob, confunde-se por diversas vezes com o gênero documentário ao retratar o cotidiano e a intimidade de um casal de atores que, às vésperas de uma importante turnê por Nova Iorque e Montreal, precisa lidar com a descoberta de uma gravidez inesperada. O filme não foi o primeiro trabalho dirigido por Petra Costa, anteriormente ela ganhou destaque com o documentário Elena, desenvolvido em torno da temática da depressão.

O casal protagonista da trama é composto por Olivia Corsini e Serge Nicolai. Os referidos atores são um casal na vida real e, por mais que não seja propriamente a vida dos dois que está sendo retratada nas telonas, há no decorrer do longa o acompanhamento literal da gravidez de Olivia. Durante o diário gestacional da atriz, diversas questões de extrema relevância são apresentadas, como o medo de não conseguir ser uma boa mãe, o desconforto com sua estética corporal e a preocupação de o quanto uma gestação pode interferir no seu lado profissional.

O desemprego após a maternidade está longe de ser um problema estritamente ficcional, ocorrendo na realidade de inúmeras mulheres pelo mundo. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas com 247.455 mulheres de todo o Brasil, entre 2009 e 2012, 48% das que têm filhos perdem o emprego em até dois anos depois da licença-maternidade. Em países europeus, por exemplo, a licença paternidade é estendida, tornando-se mais difícil desvalorizar a importância da mulher no mercado de trabalho. Desse modo, o filme foi bastante feliz ao retratar a questão de forma bastante delicada e até mesmo reflexiva para quem o assiste.

O hibridismo entre ficção e documentário, presente em Olmo e a Gaivota, dispõe de algumas questões não tão felizes no que diz respeito ao estilo. O fato de as diretoras Petra Costa e Lea Glob interagirem com os protagonistas, fazendo perguntas para os mesmos e, assim, gerando uma interação personagem-câmera, quebra totalmente a suspensão da descrença e faz com que o público passe a crer que aquela história não é real, não sendo esse o objetivo central de um longa-metragem.

Portanto, as 1h25min de duração de Olmo e a Gaivota conseguiram um resultado geral bastante considerável. Foi possível entender e refletir sobre as diversas questões que assolam as mulheres, externa e internamente, durante uma gravidez. Isso se faz necessário para que exista a possibilidade de uma quebra gradual de diversos tabus ainda enraizados na sociedade e pautados em cima do machismo e do preconceito.

1 comentário


Ângela Duarte
Ângela Duarte
28 de ago. de 2019

AMEI!! Sempre tive a curiosidade de ver esse filme, muito feliz em saber que ele é agraciado por colegas de turma

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