Lúpus, a doença crônica que pode afetar vários órgãos
- Jornalismocdh

- 23 de ago. de 2019
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📷 Descrição para cegos: mulher com as bochechas vermelhas. Foto: Reprodução
Por Carlos Henrique
O lúpus é uma doença autoimune, inflamatória e crônica, não tem cura mas possui tratamento e controle. Quando uma pessoa tem uma doença autoimune ela perde a capacidade de vigilância do sistema imunológico; começa a produzir anticorpos que atacam e agridem as próprias células do organismo. O paciente com lúpus pode apresentar sintomas em qualquer órgão do corpo.
Segundo a reumatologista, Danielle Egypto, o paciente com lúpus nunca é igual a outro, já que cada um vai ter uma apresentação da doença de forma diferente; por exemplo, um paciente tem manifestação da doença na pele; outro não tem nada na pele mas tem inflamação nos rins. Também pode ocorrer de a doença aparecer no sistema nervoso central.
De acordo com Danielle, “os sintomas e os sinais da doença são extremamente variáveis. As manifestações mais comuns e frequentes são: cutânea articulares e inflamação renal, mas o paciente pode ter também destruição das células do sangue, anemia hemolítica, queda de plaquetas, queda de leucócitos, inflamação no cérebro e por consequência ter convulsão e desorientação; também pode ter inflamação nos rins e evoluir para insuficiência renal, inflamação no fígado e no pâncreas, inflamações nos vasos e fazer várias lesões com necrose, manchas no rosto."
Segundo a especialista, "a lesão mais característica do lúpus é a lesão que as pessoas chamam ' asa de borboleta' , que compromete o dorso da região malar e do nariz, formando uma asa de borboleta. Mas pode se formam como bolhas ou verrugas”, afirma.
O lúpus não tem causa específica, ele pode surgir de um conjunto de fatores, como a genética, estresse, infecções, alterações hormonais. Esses fatores se entrelaçam e determinam o desenvolvimento da doença. Ainda, em uma família, uma mãe e uma tia podem ter a doença e seus descendentes não, como também pode não haver nenhum caso anterior e alguém desenvolver a doença. Não há como saber quando alguém terá devido à essas variáveis.
A reumatologista destaca que “o lúpus é muito mais comum nas mulheres do que em homens; nove mulheres para um homem afetado pelo lúpus. É uma doença de mulher jovem. A maior faixa etária de comprometimento é entre 20 e 30 anos”.
Todas as doenças autoimunes são doenças nas quais é necessário um conjunto de manifestações clínicas e de exames laboratoriais para poder estabelecer um diagnóstico. Para o tratamento do lúpus os médicos usam corticoide — uma droga —, podendo fazer doses variadas, desde uma dose baixa até uma mais elevada, a qual é chamada de dose imunossupressora — uma dose que leva a uma supressão do sistema imunológico, porque ele é a causa de toda a inflamação.
Além disso, é feito o uso de doses chamadas de endovenosas que servem para controlar os sintomas de forma mais rápida quando o paciente está em plena atividade da doença, em um estágio mais grave.
Danielle acrescenta:“ o paciente pode passar épocas muito bem controlado, e de repente ter uma atividade”. Dessa forma, é necessário que mesmo que os sintomas estejam controlados deve-se continuar com o acompanhamento médico.
As doenças autoimunes sistêmicas não são doenças simples, são doenças graves e que têm controle. Os pacientes conseguem viver bem quando controladas.

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