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IT Girls: um projeto que apesar dos obstáculos acredita em um futuro melhor

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 29 de jul. de 2019
  • 4 min de leitura

Atualizado: 23 de ago. de 2019


Descrição para cegos: Em primeiro plano, uma menina observa uma das participantes do projeto IT Girls, Gabrielly Marreiro, que está em segundo plano, gesticulando enquanto fala em uma oficina, ao lado de duas outras participantes do projeto. Todas vestidas com blusas personalizadas com a Logo do IT Girls.

Por Juliana Alves


A relação das mulheres com a tecnologia não é de hoje e ainda enfrenta muitas barreiras pelo machismo que insiste em criar estereótipos de gêneros nesse setor. A luta por direitos iguais entre homens e mulheres no campo tecnológico está ganhando forças e mudando esse cenário majoritariamente masculino.

O projeto IT Girls, desenvolvido no Campus IV da UFPB, no município de Rio Tinto, é uma iniciativa que busca incentivar meninas de cursos de tecnologia e atrair outras para a área, além de lutar pela igualdade de gênero e conscientizar discentes e comunidade. Iniciado em meados de 2016 por três professoras e quatro alunas, atualmente o projeto envolve diretamente cinco professoras e catorze discentes.

Gabrielly Marreiro Leite, 22 anos, é natural de Alagoinha, na Paraíba. Pensava em ingressar em Designer Gráfico, mas em uma conversa com amigos que já faziam a Licenciatura em Ciência da Computação decidiu pela área.

Apesar de ter conhecimento sobre o baixo número de mulheres no curso, não imaginava quais os motivos e nem que viveria situações constrangedoras pela escolha, ainda mais por professores do próprio campus. Participa do projeto desde 2017 e hoje, no penúltimo período de sua graduação, trabalha em pesquisas sobre Pensamento Computacional para ministrar oficinas em escolas com o propósito de apresentar a área.

Em entrevista a discente relata que segue confiante no crescimento feminino no setor tecnológico e torce que o trabalho do IT Girls alcance mais meninas.


P: Quais foram as motivações que te fizeram participar do projeto?

R: Ver a importância tanto das ações como do projeto em si, visto que existem poucas meninas no curso e que no projeto podíamos discutir sobre os motivos levam a alta evasão. Além disso, outros temas como feminismo e tecnologia em geral. Além de ser uma forma de estar em contato e se sentir mais acolhida num grupo de meninas que discutem sobre tecnologia.


P: Como são desenvolvidas as ações de integração e de incentivo?

R: Nós trabalhamos diretamente com as alunas dos cursos de TI [Tecnologia da Informação] do campus, que são: Licenciatura em Ciência da Computação e Sistemas de Informação e meninos que também participam de alguns eventos. Também desenvolvemos atividades fora do campus, dando oficinas na maioria das vezes, e fazendo a parte de conscientização sobre igualdade de gêneros.


P: A conscientização de igualdade de gêneros é um dos princípios do IT Girls. Como é trabalhada essa questão nas atividades que vocês desempenham?

R: Fazemos discussões tanto dentro do projeto na universidade, como para alunos em geral. Geralmente, por meio de exibição de filmes que envolvem o tema, palestras e mesas redondas, por exemplo. Nossa conscientização em relação a gênero é discutida tanto com meninos como meninas.

Uma das coordenadoras do projeto, Vanessa Dantas, destaca a importância das pesquisas científicas em escolas e na universidade sobre a atuação feminina na área de tecnologia, seja para investigar as razões que levam poucas mulheres a atuarem na área, seja para incentivar para que mais alunas ingressem e permaneçam nos cursos superiores de Computação.


P: Nessas rodas de conversas, surgem muitos questionamentos sobre o direito das mulheres e a atuação feminina nessa área da tecnologia?

R: Acho que não essas perguntas, especificamente, mas sim temas que puxam outros. Tipo machismo, feminismo, empatia, etc. Temas que sempre envolve nossos direitos e a luta por eles. Os alunos compartilham visões, situações que já vivenciaram e questionamentos em torno dos motivos de certas coisas acontecerem. E ainda nos deparamos com alunos que mantém visão e atitudes machistas. Inclusive muitos meninos ainda resistem em participar dos eventos abertos aos meninos por ter uma visão distorcida do projeto, coincidentemente muitos desses são justamente os que têm atitudes assim. Já dentro do Campus, muitas alunas compartilham situações que passam no do dia a dia de aulas com os colegas machistas, que tratam com diferença nas atividades apenas por serem meninas.


P: Nesses dois anos de projetos, quais aprendizados você leva para sua vida profissional e pessoal?

R: Cresci muito! De forma pessoal aprendendo a ter sororidade e mais empatia, a insistir nos meus objetivos e não me deixar abalar pelos obstáculos pois eles não definem minha capacidade. Me senti acolhida. De forma profissional, desenvolvi minhas habilidades de comunicação, aprendi ferramentas novas, participei de eventos da área e pude, em nome do projeto, dar oficinas e ter contato com outras instituições e projetos que agregaram muito valor e conhecimento pessoal e profissional. O projeto foi uma grande colaboração para me manter no curso. E para o meu crescimento como participante do projeto.


P: Conhecendo o crescimento do projeto e como um instrumento de apoio que ele se tornou nesses anos, o que você espera para o futuro do IT Girls?

R: Espero que a gente consiga principalmente expandir mais ainda às meninas o interesse pela área, quebrar o tabu que não é área de meninas e que vejamos, ainda mais, essas meninas que tiveram contato conosco ingressando na área aqui no campus. Além de ver o projeto crescer tendo sua importância reconhecida não só no nosso campus, mas também em eventos, publicações, oficinas etc.

As IT Girls estão no Instagram (@itgirlsrt), no Facebook (IT Girls - Garotas na Tecnologia da Informação) e no endereço eletrônico itgirls.dcx.ufpb.br.

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