Futebol é coisa de mulher
- Jornalismocdh

- 2 de ago. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de ago. de 2019

Descrição para cegos: Um grupo de jogadoras da seleção brasileira de futebol feminino abraçadas. Foto: Reprodução
Por Isabelly Barreto
Em um ano ímpar de Copa do Mundo de Futebol Feminino, competição internacional mais importante para a modalidade, realizada na França, a seleção brasileira fez história dentro e fora dos gramados. Desde as transmissões na televisão aberta com recordes de audiência aos restaurantes e shoppings centers cheios de torcedores, essa Copa do Mundo foi sinônimo de visibilidade para as meninas do futebol.
O Brasil acabou perdendo para França nas oitavas de final por 2x1, porém fez uma trajetória de grande superação e empoderamento, tendo em vista as adversidades enfrentadas constantemente pelas heroínas da bola, como, por exemplo, contusões. Em um desabafo numa entrevista após o jogo contra a seleção francesa, a jogadora Marta, seis vezes eleita a melhor do mundo, falou sobre a necessidade de incentivo e estrutura, “A gente tem que chorar no começo pra sorrir no fim. É ‘tá’ pronto pra jogar 90 minutos e mais 30 minutos, quantos minutos forem. Não vai ter uma Formiga, Marta e Cristiane para sempre. O futebol feminino depende de vocês. Valorizem.” Após essa declaração diversos questionamentos vêm à tona e colocam em xeque um futuro tão incerto para a seleção.
Ao pensar que, historicamente, as mulheres não tinham o direito de jogar futebol no Brasil e eram proibidas pelo decreto de Lei 3.199, da ditadura do Estado Novo de Vargas, que perdurou quase quarenta anos, constata-se o quão desafiador foi e continua sendo para desconstruir diversos clichês enraizados numa cultura que não permite que a mulher adentre em espaços tidos, exclusivamente, como masculinos.
Às pioneiras do futebol feminino, que abriram o caminho entre proibições e desprezo, deve-se o total reconhecimento e agradecimento das presentes e futuras gerações de jogadoras do futebol feminino no Brasil.
Em entrevista com a jogadora Hanne Astrid Kelly Bakke, meia do time Botafogo da Paraíba, de apenas 21 anos de idade, o desejo de que as pessoas enxerguem com outros olhos o futebol feminino é um tanto quanto urgente, “Nós merecemos mais patrocínios, mais visibilidade, mais atenção da própria mídia”.
Ela ainda destaca que não recebe um salário fixo para jogar no time e não vive do futebol, por mais que fosse um desejo pessoal. Além disso, relatou que possui o projeto de terminar o seu curso de Psicologia e, posteriormente, ir para fora do país correr atrás do sonho de jogar futebol profissionalmente.
Apesar das diversas conquistas o futebol feminino brasileiro ainda precisa superar muitas questões já citadas, como, por exemplo, o preconceito contra a mulher já inerente à cultura do esporte. A sociedade ainda discrimina muitas atletas, a maioria dos pais recrimina a brincadeira de bola entre meninas, o valor dos patrocínios é desigual se comparado ao dos jogadores da seleção masculina, dentre outras problemáticas. Desse modo, somente a superação diária das meninas e as suas posteriores vitórias, poderão levar, gradualmente, a uma mudança nesse cenário tão desigual da bola.




Comentários