Creche: espaço de direitos e símbolo de luta
- Jornalismocdh

- 1 de set. de 2019
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Descrição para Cegos: Na imagem, duas crianças aparecem em pé brincando em uma sala recreativa com muitos brinquedos e pelúcias, organizados em prateleiras e porta brinquedos.
Por Juliana Alves
Não é de hoje que as mulheres lutam para possuir direitos iguais aos dos homens. Desde o século passado, nas primeiras mobilizações femininas, nas quais manifestaram por melhores condições de trabalho, até os dias atuais em que ainda se busca a igualdade salarial entre gêneros, por exemplo.
Dentre as principais conquistas sociais na busca por igualdade nas oportunidades de trabalho, encontra-se o direito à creche, ao passo que este também defende o trabalho extradoméstico das mães. No Brasil, esse direito só se instituiu no século XX e iniciou-se a partir de associações religiosas e grupos de mulheres que visavam o atendimento aos filhos das mulheres trabalhadoras.
Muito além de espaços que apenas acolhem crianças, as creches tornaram-se lugares que colocam a criança como cidadã e representam a luta das mulheres. No Brasil, além das creches públicas e privadas, existem algumas casas de apoio e associações que realizam atividades com crianças de bairros menos favorecidos economicamente. A Casa de Apoio Cantinho Feliz foi uma dessas instituições sem financiamento do Estado e prestou diversos serviços às famílias do bairro Jardim Veneza em João Pessoa, na Paraíba.
Em 20 anos de trabalho, a casa de apoio acolheu centenas de crianças de dois a seis anos. Maria de Fátima Fernandes, moradora do bairro e coordenadora do projeto, conta que a “vida das mães da comunidade mudou, e muito, pra melhor”. Segundo ela, o projeto reconhecia a importância de incentivar as mães em busca de novas oportunidades e por isso, além de realizar atividades com as crianças e atendimento médico voluntário, desenvolveu cursos e palestras sobre cuidados com as crianças, saúde da mulher e cursos de artesanato.
Maria Aparecida Pereira, de 43 anos, é mãe de três filhos que passaram pela Casa de Apoio Cantinho Feliz. Ela conta que, inicialmente, matriculou-os na casa de apoio pois na época a creche da rede pública municipal não possuía mais vagas, uma realidade que ainda persiste nos dias de hoje. Segundo Maria Aparecida, o trabalho realizado pela Cantinho Feliz foi fundamental para que ela se mantivesse no emprego como diarista, principal fonte de renda familiar. Hoje, o projeto que se espalhou para outros lugares carentes no mundo e continua ajudando mães e famílias como a de Maria Aparecida.
Na maioria dos casos, sem o auxílio do pai das crianças, as mães vivem sobrecarregadas na tentativa de conciliar o cuidado dos filhos após a maternidade, as atividades domésticas e o trabalho. Por essa razão, a creche, vista por muitos apenas como um lugar de iniciação à pré-escola, antes de tudo, é um símbolo da luta por igualdade entre homens e mulheres e um espaço de exercício de cidadania.




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