Coletivo Pachamamá: Voz para a militância materna
- Jornalismocdh

- 27 de ago. de 2019
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Descrição para cegos: Em primeiro plano, uma mãe amamenta seu filho. Em segundo plano, veem-se mulheres de pé atrás dela. Fonte: Divulgação Instagram Coletivo Pachamamá | @Juliana Terra
Por Ana Lívia Macêdo
“Sinto que poderia me perder na loucura e isso me dá medo”. Essa é a frase que a cineasta Petra Costa resolve atribuir à personagem principal de seu filme Olmo e A Gaivota (2014), após a descoberta da maternidade. Essa foi, também, a sensação compartilhada por um grupo de amigas paraibanas, em 2017, ao conversar sobre o papel da mulher quando se torna mãe e os desafios, tanto físicos quanto psicológicos, que permeiam o processo. Por essa razão, surgiu, de um grupo de WhatsApp, o Coletivo Pachamamá.
Pachamama é uma deusa andina, considerada Mãe Terra, e relacionada às questões de fertilidade, da terra e do feminino. Apesar de carregar um nome que remete à grandiosidade divina feminina, o coletivo Pachamamá busca alavancar um processo de desmitificação da maternidade. “Nosso objetivo é o fortalecimento das mães e o combate da romantização da maternidade, além do enfrentamento perante a sociedade da invisibilidade materna, da intolerância com as crianças e do machismo e opressão contra as mães e suas crias”, explica Cristiane Cavalcante, participante do coletivo.
O diálogo é, então, fundamental para o tratamento de questões constantemente marginalizadas na sociedade. Têm-se como principais pontos de discussão as cobranças postas à mulher como criadora e educadora principal, já que grande parte das crianças brasileiras não tem o nome do genitor na certidão, a jornada por vezes tripla de trabalho além da falta de apoio do Estado para desempenhar bem esse papel. “Essa função é árdua e exige demais da mulher, que tem que se descobrir mãe, entender e atender às necessidades da criança, se reencontrar como mulher e indivíduo e reconfigurar seu papel e sua função dentro da sociedade”, complementa Cristiane, que é mãe de Tereza Regina, de 3 anos.
A fim de alcançar esse objetivo e converter em uma experiência bem-sucedida do coletivo, o grupo de mães prepara regularmente reuniões nas casas das participantes e busca estabelecer uma agenda mensal de eventos externos para discutir a militância materna e ocupar espaços públicos por mães e filhos. No último mês de maio, por exemplo, o coletivo propôs uma série de atividades, desde oficina de shantala (massagem para bebês) até roda de diálogo sobre violência obstétrica para ressignificação da data.
Atualmente, contando com um grupo de mais de 30 mulheres, o Coletivo Pachamamá se prepara para atuar mais fortemente, sobretudo em um cenário político hostil no Brasil. “Somos em maioria de esquerda, contrárias a esse desgoverno que discrimina e desvaloriza constantemente os diretos das mulheres e das crianças”, afirma a participante. “Precisamos tirar as mulheres mães do pedestal do sagrado, do heroico, do guerreiro e trazer para o humano, pois isso que as mulheres são, apenas seres humanos que precisam de ajuda, de apoio, de reconhecimento e de políticas públicas”.
O Coletivo Pachamamá está no Instagram (@coletivo_pachamama) e no Facebook (Coletivo Pachamamá).




Suca e Ayô, linda família na foto. E linda matéria <3
Me vi lendo e relendo sua contextualização, muito interessante o significado do nome do coletivo. Belo texto, parabéns
Bela matéria! É muito importante reconhecer as mães como humanas responsáveis e dignas de apoio e ajuda.