Cazuza, o tempo não para e a retratação do HIV
- Jornalismocdh

- 2 de set. de 2019
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Atualizado: 4 de set. de 2019
📷 Descrição para cegos: Daniel Oliveira, protagonista no filme Cazuza, o tempo não para. Foto: Internet
Por Izadora Rodrigues
Cazuza – O Tempo Não Para é um filme de 2004 que conta a trajetória do cantor Cazuza, interpretado por Daniel de Oliveira, desde como começou sua carreira na banda Barão Vermelho em 1981, os seus trabalhos como artista solo nos anos seguintes, o seu diagnóstico como portador do vírus HIV em 1987 e a sua morte em decorrência da AIDS.
O vírus HIV só foi isolado pela primeira vez em laboratório no ano de 1983, de modo que quando o artista foi diagnosticado tanto os cientistas quanto a sociedade em geral pouco sabia sobre. A AIDS é a evolução do vírus para a doença. A terceira parte do filme começa com a cena onde Cazuza descobre que está doente e em estado de desespero conta a seu amigo Zeca: “fui tocado pela AIDS. Não posso emprestar roupa pra ninguém, não posso beijar ninguém”. O que demonstra mitos que eram difundidos sobre o HIV na época, já que a transmissão só ocorre por fluídos corporais que tenham quantidade suficiente do vírus (sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno).
Cazuza, que estava no ápice da sua carreira, foi levado aos Estados Unidos para tratamento em 1987 e o filme mostra o artista e a família esperançosos com o AZT (antirretroviral), que na época era uma novidade e também foi o primeiro medicamento a ter resultados eficazes contra o HIV.
Em uma outra cena, o cantor já debilitado e em cadeira de rodas fala: "Hoje assumi em público minha doença. Estou mais livre, mais leve." Isso ocorreu apenas dois anos depois do primeiro internamento do cantor nos EUA. Cazuza foi a primeira figura pública no Brasil a assumir sua condição, o que ajudou muito para a expansão do conhecimento sobre a doença entre a população.
Apesar de todos os esforços e privilégios advindos da sua condição financeira, Cazuza morreu em 1990, aos 32 anos. Ainda no mesmo ano, seus pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, que aplica os direitos autorais do artista no atendimento a pacientes portadores do vírus HIV.

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