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A mortalidade infantil sob a ótica da Saúde da Criança

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 23 de ago. de 2019
  • 3 min de leitura

📷 Descrição para cegos: os dois pequenos pés de um bebê, encostados um no outro. Foto: Reprodução

Por Nalim Tavares

A mortalidade infantil - indicador social cuja taxa é medida pelo número de mortes de crianças do momento do nascimento ao primeiro aniversário - a cada mil nascidas vivas no período de um ano, tornou a crescer em 2016 — 4,8% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Saúde — depois de vinte e seis anos de queda.

Segundo a Unicef, fundo das Nações Unidas para a Infância, a taxa de mortalidade infantil também é usada em relatórios internacionais para medir o desenvolvimento de um país de modo geral. Dessa forma, a queda deste índice está relacionada a uma série de melhorias nas condições de vida e atenção à saúde de uma criança, como por exemplo, segurança alimentar, saneamento básico e vacinação.

Três componentes são levados em conta na construção desse dado: primeiro, a mortalidade neonatal precoce, que diz respeito ao nascimento até o sexto dia de vida da criança. Em seguida, a mortalidade neonatal tardia, que marca o período do sétimo até o vigésimo sétimo dia de vida e, por fim, a mortalidade pós-neonatal, que vai do vigésimo oitavo dia até o primeiro ano de vida da criança.

Essa divisão, além de separar os óbitos por período, contribui também para determinar as principais causas de mortalidade em cada um dos três componentes, auxiliando o acompanhamento das crianças ao longo do seu crescimento, em cada período específico. A mortalidade neonatal precoce, por exemplo, estaria ligada principalmente ao cuidado com a gestante e as condições do parto. Já a mortalidade neonatal tardia estaria voltada, principalmente, para o atendimento do bebê prematuro ou abaixo do peso.

A mortalidade pós-neonatal possui um certo valor de comunidade e chama atenção para a importância da vacinação e saneamento básico.

De acordo com o governo brasileiro, a alta na taxa de mortalidade em 2016 foi resultado da crise econômica e da explosão dos casos de dengue e Zika Vírus. Entretanto, especialistas da área de saúde explicam que a dificuldade em tornar a reduzir este índice é resultado de uma gama de cuidados que foram negligenciados com o passar dos anos, enquanto o índice decaía: embora não seja mais uma das principais responsáveis por mortes prematuras, a diarreia ainda corresponde a uma das causas da morte de crianças em seu primeiro ano de vida.

Infecções respiratórias e doenças evitadas através da vacinação, como tétano e sarampo, também são causadoras de óbito infantil. Há também doenças causadas por complicações na hora do parto e do nascimento.

Segundo a professora Maria Laura da Costa Rodrigues, graduada em medicina e especialista em Saúde da Família e Comunidades, “acompanhar o desenvolvimento das crianças desde o nascimento até os 2 anos de idade — 24 meses — é fundamental, pois no 1º ano de vida se contemplam os grandes marcos do desenvolvimento neuropsicomotor. Se faz necessário o acompanhamento sistemático pelo serviço de saúde, bem como os estímulos e convivência familiar”, informa.

Entretanto, a saúde não depende apenas das orientações ou das ações e intervenções realizadas pelas equipes de saúde e dos demais profissionais das diversas áreas afins. Há uma necessidade de sanar possíveis aspectos que configuram elementos que impactam diretamente na saúde dos indivíduos e, nesse caso, especificamente das crianças: a boa alimentação, o direito à escola, o desenvolvimento cognitivo e intelectual, saneamento básico, acesso à cultura e ao lazer, entre outros.

A garantia da saúde passa por aspectos essenciais da cidadania e a existência ou não destes elementos influencia diretamente no estado de saúde dos indivíduos. Medidas simples como Educação em saúde e a orientação das famílias para hábitos saudáveis propicia mudanças no território.

Por fim, a professora Laura diz, sob a ótica dos Direitos Humanos, que “a partir da nossa Constituição, todos temos direitos assegurados à saúde, à alimentação, à moradia, à educação, à cultura e lazer; partindo desses elementos a criança é um ser humano em franca etapa de desenvolvimento. Garantir o correto desenvolvimento e assistência durante uma etapa tão fundamental, é resguardar e contribuir para que ela venha a ser um adulto(a) pleno, com garantia de direitos enquanto cidadão”, finaliza.

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