Número de idosos no mercado de trabalho cresce em busca de complemento de renda
- Jornalismocdh

- 20 de set. de 2019
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📷Descrição para cegos: Dois idosos em uma praça, um está sentado em um banco e o outro está em pé, ao seu lado. Ambos estão com chapéu e sorriem para a câmera. Foto: Wiebrig Krakau
Por Bruna Serpa, Iaco Lopes, Matheus de Andrade e Lara Lustosa
O envelhecimento da população brasileira, tão estudado nas aulas de geografia, deixou de ser uma estimativa e se tornou uma realidade. A cada projeção realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há um aumento significativo na quantidade percentual de idosos no país, que, em 2019, estima-se que chegará a representar 9,2% dos brasileiros e, em 2060, 25,5%.
Atualmente, uma tendência é a volta ao mercado de trabalho. Em 2013, o número de pessoas com 65 anos ou mais em vagas com carteira assinada era de 484 mil. Em 2017, esse dado subiu para 649,4 mil, um aumento de 43% em relação a quatro anos antes, conforme informou a Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).
Apesar disso, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a partir de dados da PNAD, mostrou um aprofundamento da informalidade nesse segmento, o que aumenta a precariedade no trabalho. No primeiro trimestre de 2016, entre os idosos que ainda trabalhavam, apenas 27,6% possuíam sua carteira assinada, índice que diminuiu para 26,6% no primeiro trimestre de 2018. Ou seja, os trabalhos fora da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), sem carteira assinada, ganharam mais espaço.
Isso acontece porque os aposentados precisam de um completo de renda, sendo o benefício da aposentadoria insuficiente.
Aposentados que ainda trabalham
Isso acontece com Lenilson Guedes, jornalista de 64 anos, que se aposentou esse ano, após 35 anos de contribuição. Com a Reforma da Previdência em andamento, entendeu que seria melhor dar entrada na aposentadoria. Apesar disso, precisa trabalhar por fora para complementar sua renda.
O jornalista teve a sua carteira de trabalho assinada pela primeira vez em 1983, quando era funcionário da Rádio Tabajara. Em mais de três décadas na área, Lenilson trabalhou nos principais veículos de Comunicação do Estado: Rádio Tabajara, a já extinta Rádio Arapuan AM, Rádio Correio 98 FM, Rádio CBN e na Rádio POP. Fora as rádios, foi funcionário do Jornal A União, do Correio da Paraíba e do Jornal da Paraíba. Também teve participações na TV Correio, com comentários políticos, e passou pela Secretaria de Comunicação do Estado. O seu último emprego de carteira assinada foi na Rede Paraíba (CBN e Jornal da Paraíba). Atualmente aposentado por tempo de contribuição, Lenilson Guedes mantém um blog (www.osguedes.com.br) em parceria com o irmão Nonato, além de trabalhar na Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça, para completar sua renda.
“Na profissão de jornalista, muitos não querem se aposentar com medo das perdas salariais. Mesmo aqueles que se aposentam continuam trabalhando para completar a renda, conheço vários nessa situação. Aliás, jornalista, aposentado ou não, sempre teve mais de uma fonte de renda”, explica.
Lenilson é contra a Reforma da Previdência, proposta que cria uma idade mínima de aposentadoria, deixando de haver a possibilidade de aposentadoria por tempo de contribuição, tanto para a iniciativa privada quanto para para servidores públicos. “Não acredito que ela seja boa para o trabalhador. Se fala muito do rombo da Previdência, como se a culpa fosse da classe trabalhadora. Deveria sim haver uma CPI da Previdência para botar os políticos corruptos na cadeia”, completa o jornalista.
Assim como Lenilson, é bastante comum termos aposentados ainda trabalhando para complementarem suas rendas. Isso, no fim das contas, acaba os obrigando a não terem o seu devido e merecido descanso, permanecendo na ativa no mercado de trabalho.
Mudanças na aposentadoria
Além dos aposentados, pessoas que buscam se aposentar também já estão sofrendo com as mudanças causadas pela nova Reforma da Previdência.
Um desses casos aconteceu com Terezinha, de 49 anos, e que desde o ano passado deu início as tratativas para obter sua aposentadoria. Ela, que desde muito cedo começou no mercado de trabalho, espera a aprovação do seu pedido junto ao INSS. Na metade 2019, o texto base da reforma da previdência foi aprovado, o que trouxe significantes impactos na vida de Terezinha.
Com 30 anos de serviços prestados, a enfermeira recebeu a resposta de que não receberia sua aposentadoria de forma integral. A regra de transição proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) deixou ela com algumas opções que não a agradaram muito. Terezinha terá que passar por outras etapas antes de receber o benefício.
Anteriormente, uma mulher solicitaria sua aposentadoria aos 60 anos ou tendo contribuído com no mínimo 15 anos, a soma desses valores garantiria 70% do benefício, com um acréscimo de 1% por ano contribuído, ou seja, ao trabalhar por 30 anos o benefício era integral.
Com a aprovação do texto algumas coisas mudaram: a idade mínima passou para 62 anos, tendo contribuído no mínimo 15 anos. Porém, para receber o benefício integralmente, será necessário agora trabalhar por 35 anos.
Para quem já estava próximo da aposentadoria, foram estabelecidas algumas regras. No seu caso, Terezinha pode optar por trabalhar até os 56 anos ou trabalhar mais um ano e receber uma porcentagem de sua aposentadoria que será calculado de acordo com as regras do último ano trabalhado.
A reforma da previdência foi enviada pelo poder executivo ao Congresso Nacional em 23 de fevereiro 2019. Na primeira semana de agosto o texto saiu da Câmara dos Deputados, tendo 370 votos a favor e 124 contra Reforma.
Agora, o texto será votado dois turnos no senado e precisa da aprovação de 49 dos 81 Senadores. Se o texto sofrer alguma alteração, terá que voltar a Câmara dos Deputados. Se for aprovado pelo Senado sem alterações, a Reforma se transforma em lei.
Ainda haverá outros capítulos.

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