Jogadores revelam a verdadeira situação trabalhista do futebol
- Jornalismocdh

- 31 de ago. de 2019
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📷 Descrição para cegos: Jogador de futebol Neymar e presidente do time Barcelona aperto de mãos após assinar contrato. Foto: FC Barcelona
Por Iaco Lopes
Muito provavelmente você ouviu, alguma vez na sua vida, que o Brasil é ‘o país do futebol’. Essa máxima existe pelo fato do país possuir a Seleção mais vitoriosa do esporte, com cinco títulos da Copa do Mundo. Entretanto, talvez ela não seja tão sincera assim. O futebol pode ser considerado o esporte mais popular do mundo, crianças do mundo todo desejam fazer do dele o seu trabalho.
Um dos atletas referências no jogo é o brasileiro Neymar, que em 2017 assinou um contrato no valor de 36,8 milhões de Euros por temporada, segundo divulgou o jornal “L'Équipe”. Com isso, muitas crianças sonham em um dia estar no lugar de Neymar, ganhando milhões para jogar futebol. Entretanto, a realidade do esporte não é bem assim.
No Brasil, especificamente, muitos jogadores sofrem com salários atrasados e mentiras feitas pelos dirigentes dos clubes. Um dos atletas que já passou por esse problema é o lateral Jean Rocha, que atualmente defende o Andraus, equipe do Paraná: “teoricamente os clubes pequenos não cumprem [com suas obrigações] não. Os clubes mais velhos, de mais expressão, registram em carteira assinada, tudo certinho. O que é direito do atleta. Muitas vezes eles colocam, por exemplo, que assinaram a carteira lá, mil reais, mas não pagam esse valor. Eles não estão agindo corretamente. Eu já passei por isso no Rio Branco, assinaram minha carteira que era mil e cem [reais], ou mil reais, algo assim, e não cumpriram com o valor”, disse o atleta, de apenas 21 anos.
Por causa disso, muitos atletas precisam trabalhar em outros afazares para completarem sua renda. “Eu sou um caso, hoje não faço isso, mas já trabalhei para ganhar mais dinheiro, pois o clube estava pagando pouco”, declarou o Jean, que trabalhou em uma vidraçaria.
Esses fatores nos fazem pensar que é comum jogadores entrarem na justiça contra esses times. Porém, a realidade não é exatamente essa. Por causa dos altos custos com advogados e a demora para os processos serem concluídos, esses atletas preferem não entrar com processo.
Wellington França, que atualmente joga na Alemanha, explicou isso na visão dos esportistas: “porque às vezes não dá em nada. Às vezes pra receber algo demora muito tempo... ai tem que ter advogado, tem que gastar. Às vezes o que vamos gastar não vale a pena pelo que vamos receber, isso se ganharem as causas, né. Digo de clubes menores, porque nunca passei por isso em clube grande”, relatou. Ele defende atualmente o TuS Rüssingen.
Por jogar na Alemanha, o jogador viu que isso não acontece em todos os lugares, apesar de ser rotina no Brasil: “sim, pelo menos aqui [na Alemanha] onde estou, até o momento, o que prometeram em questão de salário, pagaram em dia, sem atrasos”, relatou o lateral e volante de 25 anos.
Apesar de acontecer em equipes de todas as proporções, os clubes considerados pequenos são os principais responsáveis por essa problemática. Meio-campista com passagens por Coritiba e Linense, Lucy Júnior, de 23 anos, viveu situação semelhante ao jogador Jean, e também descreve como os times colocam um salário maior do que podem pagar em seus contratos: “levando pelas minhas experiências, já tive muitos problemas com isso, você recebe um valor, mas na sua carteira é marcado outro. O último salário em times pequenos é muito difícil de receber!”, relata.
Perguntado se a decisão de ser atleta profissional aconteceu pensando em unir o lazer ao trabalho, o meio-campista confirmou, mas disse que não imaginava passar por tantas adversidades: “sim, com certeza, porém nunca imaginei ter tanta pressão e tantos contratempos como os salariais”, concluiu.
Além desses três casos, existem centenas de outros jogadores que sofrem com o mesmo problema Brasil afora. O luxo, fama e alto salário de alguns profissionais faz parecer que o futebol é apenas glamour, entretanto, muitas vezes, a realidade é exatamente o contrário disso.
Para termos um futebol melhor em nosso país precisamos, primeiramente, de boas gestões dentro das equipes, que honrem com seus compromissos. Não é mais possível termos tantos clubes com dívidas trabalhistas. Além disso, também é preciso aprimorar os trâmites dos processos, pois não é aceitável que pessoas sejam prejudicadas por chegarem ao ponto de nem cogitar de buscar à justiça devido à demora. Os jogadores são trabalhadores e precisam do salário tanto quanto qualquer profissional de outra área.

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