Distopias e Direitos Humanos
- Jornalismocdh

- 8 de ago. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de ago. de 2019

Descrição para cegos: Na foto há um homem com a cabeça inclinada para baixo, olhando fixamente para frente. Ele utiliza um chapéu. Foto: Estúdios Warner.
Por Carol Picado
É evidente a proximidade da nossa realidade com as distopias. A distopia é o contrário de uma utopia; enquanto na utopia as pessoas vivem num mundo perfeito, nas distopias é possível ver o completo caos. Algumas dessas distopias, inclusive, já previram muitas tecnologias e até comportamentos, tais como computadores pessoais, e também o uso compulsivo de ansiolíticos. Distopias podem ser utilizadas em muitas oportunidades e são grandes críticas à regimes políticos, podem até ser utilizadas para mostrar a importância dos direitos humanos. Para cada direito humano, há uma distopia que mostra um universo sem tal proteção.
Na distopia "Neuromancer", por exemplo, pode se ver como funciona um mundo onde não há, praticamente, o direito à saúde. Nele, o acesso à saúde, mesmo ela sendo bem avançada, é extremamente elitizado e bem avançado. Há também, nessa história, muitas restrições no direito de ir e vir dos cidadãos, pois muitos que não tem os transportes futuristas da época, tampouco tem acesso a matrix, que é outra parte do mundo deles.
Em "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, a sociedade é criada em laboratórios e dividida em castas, desde os Alphas, que são intelectualmente superiores, até os Ípslons, que durante sua produção receberam pouco oxigênio no cérebro, tendo assim os pensamentos limitados. Assim, nem todos são iguais e não tem liberdade de pensamento.
Já em "O Processo", é evidente a falta que o habeas corpus, ação judicial que protege a liberdade do indivíduo, e o direito de um julgamento neutro e objetivo pode fazer com o nosso sistema judiciário.
Há tantas outras, como "1984", que mostra como é uma sociedade sem direito à liberdade e privacidade; ou "Farenheit 457", que fala sobre a liberdade de pensamento e o direito à instrução, e também "Laranja Mecânica", que fala muito da segurança social e também das falhas do sistema carcerário.
Mas, de todas essas, a mais emblemática é, sem dúvida, "O Senhor das Moscas", que é a filosofia hobbiana em sua mais pura essência. Com Hobbes, filósofo inglês do século XVII, surge a teoria dos direitos naturais, também conhecida por jusnaturalismo moderno. Hobbes explica que o ser humano, em sua natureza, vive em condição de guerra, querendo impor seus direitos aos dos outros e, para sair desse estado constante de disputa, é preciso haver o intermédio de algo maior, como o Estado. Para Hobbes, os indivíduos cedem sua liberdade para poder viver em segurança e harmonia.
Senhor das Moscas, que rendeu um prêmio Nobel de literatura ao autor William Golding, exemplifica esta teoria utilizando crianças. Elas ficam sozinhas numa ilha, sem supervisão de adultos, e tentam formar uma sociedade "civilizada". Porém, ao longo da narrativa, acontecem rebeliões e crueldades entre os meninos perdidos. Nessa sociedade, não existe o Estado para intervir e proteger as crianças, deixando-as à mercê de todo tipo de violência.
Então, da próxima vez que alguém vier argumentar que direitos humanos não são necessários, utilize-se das distopias para demonstrar o universo onde tais direitos não existem. Distopias servem para tudo, inclusive para ganhar discussões.




isso é muito Black Mirror vei... hahahh