top of page

Conheça a EnCanto Coletivo Cultural e seu trabalho no mercado de musicais

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 9 de set. de 2019
  • 5 min de leitura

Descrição para cego: Atores do coletivo cultural EnCanto em espetáculo apresentado em abertura de escola bilíngue no Maranhão. Eles estão dançando e vestem smoking. Fonte: Reprodução/Instagram do Coletivo (@encanto.coletivo).


Por: Aldo Júnior


A EnCanto Coletivo Cultural surgiu no ano de 2015 em São Luís, Maranhão, e promove, anualmente, espetáculos e cursos de teatro musical para a sociedade. Com quatro anos de atuação e seis membros, o coletivo é resultado da união de alunos da antiga Vertu Escola de Arte, localizada também no Maranhão e agora transformada em uma casa de arte, os quais, a partir da realização de pequenos eventos, conseguiram se tornar um dos maiores grupos culturais do estado em que atuam. A EnCanto assina a montagem de dois grandes espetáculos autorais: o “Cazuza Exagerado”, realizado no começo do ano, e o trabalho mais recente intitulado de “Cadê a Herança?”, uma comédia musical.

Nestor Fonseca, fundador da EnCanto Coletivo Cultural, ressalta que todos os membros do coletivo possuem uma ocupação diária além do trabalho na EnCanto. “A gente costuma dizer que das 8h às 18h somos trabalhadores e estudantes de faculdade, cada um dentro da sua realidade. Depois das 18h a EnCanto passa ser o nosso trabalho. Eu sou administrador e trabalho na Secretaria do Estado. Temos um estudante de arquitetura. Há, também, uma psicóloga que atende e trabalha em escola. Depois das 18h nós somos artistas”, conta.

Ensaiando em terraços, quintais e lugares alternativos, a EnCanto Coletivo Cultural é financiada pela venda dos ingressos dos espetáculos e promove, anualmente, cursos intensivos de teatro musical com duração de 15 dias. O mais recente curso é intitulado “Cine Broadway” e sua divulgação, assim como a de espetáculos, podem ser conferidas na página do coletivo no Instagram (@encanto.coletivo).


Confira, a seguir, a entrevista onde Nestor Fonseca conta um pouco sobre o coletivo e seu trabalho dentro do âmbito cultural de São Luís:


Aldo Júnior: De onde surgiu a necessidade de criar o coletivo?

Nestor Fonseca: Então, nós nos conhecemos dentro da escola de arte e sempre tivemos vontade, no primeiro ano, de fazer outras coisas, já que lá tínhamos as aulas e no segundo semestre preparávamos um espetáculo. Tanto que, no primeiro ano, a gente montou o espetáculo A Bela e a Fera aqui na cidade. A rotina era de aula e de preparar um espetáculo específico. Porém somos artistas, né? Queremos fazer muitas coisas. E, por ser o nosso começo dentro da linguagem do teatro musical, estávamos sedentos em fazer, aprender e estudar outras coisas. Surgimos dessa necessidade dos membros de fazer, de estudar e de experimentar. Visto isso, falamos: “Ah, vamos nos reunir, estudar outras coisas e de alguma forma ganhar um dinheiro com isso apresentando em eventos e aniversários”. Em 2015 fizemos muita coisa: aniversário, dia das crianças de curso de inglês, dia dos professores etc. As pessoas começavam a nos indicar, mas pode-se dizer que viemos dessa necessidade de experimentar e de sermos artistas versáteis, já que dentro do ambiente escolar estudávamos técnica e no segundo semestre estudávamos uma linguagem e forma de corpo e de voz que ia funcionar apenas para aquele espetáculo em específico. Hoje eu percebo que tudo aquilo foi essencial para que hoje sejamos quem nós somos: um grupo muito versátil que faz teatro musical tanto “broadwayzão”, como com música brasileira.


AJ: Como funciona o curso “Cine Broadway”?

NF: Então, o curso Cine Broadway é o quarto curso que a gente promove. Os três primeiros fizemos em parceria com a escola de teatro musical A Voz em Cena de São Paulo trazendo alguns professores de lá. Eu estive na escola deles em 2016 ou 2017, fiz um curso e conheci a equipe. Então falei “Cara, vou levar vocês em São Luís. Levar vocês lá no Maranhão para que outras pessoas possam experimentar o que eu estou experimentando aqui em São Paulo”.

O primeiro foi de três dias; foi só um workshop de técnica. O segundo montamos um rent; um curso de montagem de rent (uma versão reduzida já que os nossos formatos são de 15 dias com aulas todos os dias e uma apresentação no final). Na terceira oportunidade fizemos o “Hoje na Brodway”, que é números de espetáculos musicais. Tivemos Aladdin, O Livro dos Mormons, Frozen, Cinderela, Kinky Boots, Hamilton etc. Enfim, trouxemos um número de cada musical. E agora, na quarta vez, estaremos fazendo pela primeira vez sem o pessoal de São Paulo, apenas com profissionais locais e membros da EnCanto. Dois professores são membros do coletivo; a coreógrafa é membro da EnCanto; o diretor artístico, que inclusive é o autor de Cadê a Herânça?; Samuel, um arranjador vocal que não é do coletivo, mas é um parceiro fixo; um professor que era da Vertur. E, para coroar, estamos trazendo a Giulia Nadruz, uma atriz de teatro musical muito famosa, para fazer os últimos dois dias.


AJ: Especificamente dentro de São Luís, como vocês pretendem levar cultura para as pessoas?

NF: O nosso maior objetivo é justamente esse; de fazer o teatro musical ser conhecido dentro da cidade e, consequentemente, ser bem produzido, estudado, feito e executado. Então, a nossa forma de levar cultura para as pessoas é através das nossas produções; é de fazer produções acessíveis tanto no financeiro como na linguagem e na estética, além de produzir espaços de experimentação. Nós queremos que as pessoas sejam uma boa platéia: uma platéia culturada de teatro musical, assim como uma boa produtora do mesmo. Várias pessoas que já fizeram esses outros cursos que produzimos hoje estão em outras escolas de arte, investido nesta carreira. Nossa proposta é entregar um espaço experimental para que as pessoa descubram em 15 dias coisas ainda não descobertas. Após isso, encaminhamos para escolas. Logo, nossa forma de trazer cultura para o povo é fazer uma coisa boa de ser assistida, acessada, entendida e tocante no palco, além de fornecer um espaço experimental. Esses são nossos dois pilares na hora de levar cultura ao povo.


AJ: Por fim, vocês poderiam dar uma opinião acerca do mercado cultural, especificamente com relação ao teatro, no nordeste?

NF: Bom, falar de cultura e falar de nordeste é ter o prato cheio de discussão, possibilidades, cores, sons, formas e tudo mais. Falando especificamente do teatro e do teatro musical, eu, como alguém que tem estudado e acompanhado, inclusive conhecido outros produtores no nordeste; em natal, fortaleza… vejo que grupos como o nosso estão aí na luta para trazer o melhor para suas cidades. O nordeste ele tem crescido nesse aspecto, porém o teatro musical ainda é muito forte no eixo Rio-São Paulo por conta do desfinanciamento, já que este eixo tem uma cultura de fazer grandes e caros musicais. Só que infelizmente, nós estamos vivendo um não apoio a cultura, um não apoio em todas as formas. O nordeste tem se despontado como um grande produtor de teatro musical de pequenos espetáculos com relação a estrutura e forma, mas muito rico em qualidade. Então o que eu posso dizer sobre o nosso mercado é que ele tem crescido muito. As pessoas tem acordado para isso. O mercado crescerá, mesmo com o desfinanciamento do governo e do público. É só questão de tempo.

Comentários


bottom of page