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Cotidiano do Trabalhador

  • Foto do escritor: Jornalismocdh
    Jornalismocdh
  • 6 de ago. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 23 de ago. de 2019


Descrição para cegos: em primeiro plano, estão algumas árvores secas, uma grande estrada com areia e terra. Ao lado da estrada, um banco de praça vazio. Como plano de fundo na imagem estão montanhas com neve.


Por Matheus de Andrade


Na melhor parte do sono o despertador do telefone toca, é hora de encarar a vida real, ele acorda, escova seus dentes, toma banho, engole o café da manhã em 3 minutos e corre para esperar o ônibus. A refeição mais importante do dia não tem tanta relevância no mundo tomado pela rapidez, a única coisa que atrasa é o seu ônibus, o que já não é novidade, mas ele tem que esperar, não há outra opção.

O ônibus chega e na hora de pagar uma surpresa, a passagem aumentou novamente, já é a terceira vez em alguns meses que isso acontece, mas o que se pode fazer? O ônibus está lotado, sem espaço para se mexer, encaixotado ele pensa que apesar de tudo vai conseguir chegar no seu trabalho a tempo, pobre ilusão, o transporte se locomove como uma lesma, parando em todo lugar, o trânsito também não é dos melhores. “Vou me atrasar”, pensa o trabalhador, enquanto observa o contraste da rapidez do tempo em seu relógio e a lentidão das paisagens passando na janela do ônibus.

Finalmente chegou ao destino, ele corre mas já é tarde, está atrasado, a cadeia de eventos que o empregado passou hoje nas primeiras horas do seu dia parece não convencer seu patrão, em outros tempos talvez ele seria demitido, sem direito de receber nada. Antigamente não existiam leis que fizessem seu patrão ser tão mais amigável e gentil, mesmo assim o trabalhador não escapa de levar uma advertência, afinal o chefe tem que mostrar quem manda, e a ele pouco interessa se o ônibus atrasou, que saísse de casa mais cedo, que não tomasse café, que vivesse pelo seu trabalho.

Descontente, irritado, o trabalhador inicia sua jornada de trabalho, mas que para ele já começou há tempos, ele está cansado, já não aguenta mais, porém precisa pagar suas contas, a lei garante que no final do mês apesar de todo sofrimento ele vai receber seu salário, assim vai conseguir pagar os aumentos dos ônibus, da luz, da água, do gás. Ele sonha em sobrar um pouquinho para aproveitar um dia na semana com seus amigos, sonha com suas férias, ele quer viajar, conhecer o mundo, é isso que o faz pensar em acordar mais cedo no outro dia para não ter seu pagamento descontado.

O dia acaba, hora de esperar o ônibus e voltar para casa, ele chega, liga a televisão, assiste o jornal e vê o presidente de seu país dizendo que “o trabalhador tem que escolher se quer ter direitos ou quer ter emprego”. Um dos homens que têm mais direitos no país dizendo que tudo que se passou hoje foi bom, que ele deveria agradecer e parar de sonhar com suas férias na Europa, esquecer sua aposentadoria, tem que trabalhar até o fim da sua vida, o máximo que ele deveria sonhar era com um telefone novo para poder despertar e acordá-lo pela manhã, dando início a tudo outra vez.

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