Conheça o ‘Castelo de Bonecas’, projeto de ressocialização da Penitenciária Joana Maranhão
- Jornalismocdh

- 23 de ago. de 2019
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Atualizado: 27 de ago. de 2019

Descrição para cegos: dispostas sobre uma mesa de madeira velha estão várias bonecas de pano, cada uma com um vestido e penteado diferente. Foto: Aldo Júnior
Por: Ângela Duarte
Numa sala arejada, ao lado das celas do regime semiaberto, e bem afastada do ‘corredor’ – onde ficam as celas do regime fechado, funciona o ‘Castelo de Bonecas’. O pequeno ateliê dá vida a belas bonecas de pano, fabricadas por algumas presas da Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa. O projeto de reeducação, que hoje conta com 15 mulheres privadas de liberdade, é exemplo em todo o país e já chegou a expor no Supremo Tribunal Federal (STF), além de outras exposições como o Salão de Artesanato da Paraíba. A iniciativa, que existe desde 2012, hoje vende as bonecas para o público, através, principalmente, do instagram@castelodebonecasjuliamaranhao, que é mantido pelas agentes penitenciárias. Os valores variam entre 25 reais (pequena), 35 reais (média) e 45 reais (grande). Como contou uma das agentes, o Castelo de Bonecas foi criado após uma detenta ter costurado uma boneca de pano. Impressionada com a delicadeza do trabalho, a equipe da penitenciária sugeriu que a mulher ensinasse sua arte para as outras apenadas, com isso, surgiu a ideia de transformar a atividade em um projeto de ressocialização. As bonecas originais foram colocadas na parede do ateliê, e são inspiração para as moças que criam as novas peças. As mulheres que lá trabalham ganham 1 dia a menos na pena a cada 3 dias de trabalho, os turnos vão de segunda à sexta (e às vezes ao sábado), das 8h às 12h, e das 14h às 17h. Da renda obtida pelo Castelo, 50% é usado para a compra de materiais, visto que é um projeto autossuficiente, e os outros 50% são divididos entre as presas; o dinheiro recebido é depositado em uma conta, e é o que, muitas vezes, sustenta os filhos que estão longe das mães. Uma apenada, que ganhará o nome fictício de Anna, disse que é muito grata por ter a oportunidade de se profissionalizar, para, quando sair da prisão, tentar uma nova vida: “Eu tive sorte, quando cheguei no Júlia Maranhão me mandaram direto para cá, por que quem trabalha no Castelo dorme em cela separada, aí eu não tive contato com o corredor, que dizem que é onde ficam as presas mais barra pesada. As meninas que trabalham aqui me receberam super bem, ganhei até uma tia (se referindo à outra apenada), elas me ensinaram tudo e me ajudam, já que sou a mais nova daqui.” Já Priscila, nome fictício de uma moça condenada a 29 anos de prisão, comentou que, sempre que o Castelo de Bonecas consegue abrir aos sábados, é para lá que ela vai. “É melhor de passar o tempo”, contou. As bonecas de pano, no geral, são um marco da cultura brasileira e encantam até hoje várias crianças, que lhes dão nome, personalidade, e as transformam em seres humanos reais, através da imaginação. As bonecas do Júlia Maranhão são especiais, com elas estão os sonhos e a esperança de uma nova vida.

Descrição para cegos: Duas integrantes do projeto, cujo rosto não aparece na foto, costuram os últimos detalhes de duas bonecas de pano. Foto: Aldo Junior




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