A presença de mulheres na Engenharia Civil
- Jornalismocdh

- 31 de ago. de 2019
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📷 Descrição para cegos: a estudante de Engenharia Civil, Letícia de Medeiros, posa, em um fundo azul, olhando para câmera com o característico capacete branco de segurança para engenheiros. Foto: Natália Di Lorenzo.
Por Bruna Serpa
A Engenharia Civil só recebeu as suas primeiras integrantes no início do século XX, tal fato não deve levar-nos ao espanto, uma vez que a educação superior, até aquela época, era uma possibilidade exclusivamente masculina. A estudante de engenharia civil do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), Leticia de Medeiros (22), atualmente cursa o 9º período do curso e nos fala sobre como cada vez é mais comum a presença das mulheres em uma área profissional que há muito tempo foi considerada exclusiva para homens.
Bruna Serpa (BS): Como é estagiar em uma área, considerada por muitos, só para homens?
Leticia de Medeiros (LM): Apesar da sociedade estar em constante mudança e o mercado de trabalho aceitando profissionais mulheres, ainda há uma resistência em alguns ramos da engenharia. Acredito que a parte de execução expressa bem isso.
BS: Você acredita que exista uma desvalorização com a mulher nessa área?
LM: Não acho que a palavra seja desvalorização. Mas não tenho dúvidas que há uma resistência maior em de confiar em mulheres em algumas funções.
BS: Você sente algum preconceito na faculdade?
LM: Sim. Mesmo que disfarçado de “você não tem cara de engenheira” ou “curso pra você é arquitetura”. Já ouvi alguns comentários semelhantes.
BS: Na parte prática, você já foi aconselhada a pedir ajuda a algum homem para realizar alguma tarefa relacionada a profissão?
LM: Infelizmente já fui aconselhada a ouvir opinião até de pessoas sem a devida formação técnica na área de construção civil e essas situações foram sendo tiradas de letra para que eu pudesse aprender mais sobre a profissão.
BS: No seu atual ambiente profissional, a quantidade de mulheres que ocupam cargos de liderança é significativa?
LM: Sim! Meu estágio é numa repartição pública e pela inserção ser por meio de concursos públicos e a quantidade de profissionais do sexo feminino significativa, demonstra ainda mais a capacidade feminina. Até o ano passado quem ocupava o cargo máximo era uma mulher, coisa incomum nos municípios vizinhos.
BS: Como você vê o futuro das mulheres de sua área no mercado de trabalho?
LM: Sou muito otimista quanto à isso e vejo o mercado ampliando as oportunidades para as mulheres. Aos pouquinhos, com resistência, vai havendo uma desmistificação da engenharia ser só para homens e o mercado vai nos aceitando mais facilmente.

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