A Cultura Popular de Gravatá contextualizada nas Festas Juninas
- Jornalismocdh

- 6 de ago. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de ago. de 2019

Descrição para cegos: gotículas de água caem sobre os braços abertos dos dançarinos da quadrilha, ao centro da imagem, um dos dançarinos sorri de boca escancarada e olhos fechados com a cabeça voltada para cima. Enquanto isso, um menino vestido de santo fica em cima de algo da altura dos ombros do dançarino à sua frente, segurando uma grande chave na mão, o menino “santo” parece olhar fixamente para quem observa a imagem. A auréola em sua cabeça contrasta com as bandeirinhas de São João penduradas em todo o cenário. Foto: Ricardo Labastier
Por Gabriel Carulla
O São João é uma festividade de origem europeia trazida ao Brasil pelos colonizadores. No entanto, há relatos de que os índios nativos das terras Sul Americanas pré-coloniais já praticavam rituais festivos no mês de junho, rituais estes que eram relacionados a agricultura e envolviam muita comida regional como o milho, a mandioca, o amendoim, além de danças e cantos. Com a chegada dos portugueses as tradições indígenas se mesclaram com as europeias e as homenagens à São João, São Pedro e Santo Antônio, todos de origem católica. Essa mistura deu luz ao São João brasileiro como acontece até os dias de hoje, com comidas de milho como pamonha, munguzá, canjica (tipicamente brasileiras) e as quadrilhas (dança de salão tipicamente europeia) na qual as mulheres dançam com os homens, horas em pares como na valsa, horas separados como em cirandas.
Em Gravatá, cidade interiorana do Estado de Pernambuco, se faz presente a tradicional cultura do São João e é notável nesse período do ano o costume da população de acender fogueiras na porta de casa e sentar em volta do fogo, unindo o culto ao agradável, já que no mês de junho faz bastante frio lá e as fogueiras surgiram como uma forma de cultuar os santos dentro da tradição.

Descrição para cegos: no primeiro plano da foto vemos a imagem desfocada dos pés do “menino santo”, calçados com um par de sandálias de couro. No segundo plano da imagem temos a imagem nítida dos(as) dançarinos(as) de quadrilha esperando seu momento de entrar em cena, com olhares concentrados e ansiosos por sua vez de entrar em cena. Foto: Ricardo Labastier
Foi em 1996 que o antigo prefeito da cidade, Belo Villar fundou o projeto São João Comunitário de Gravatá, que visava fomentar a cultura local mesclando elementos regionais como o maracatu, o coco de roda e o mamulengo às festas juninas.
O projeto ficou anos sem funcionar, até que em 2017 o prefeito Joaquim Neto tomou posse e o trouxe novamente à ativa.
No ano de 2019, aconteceu entre os dias 08/06 (Sábado) e 28/06 (Sexta-Feira), mais uma edição do São João Comunitário da cidade de Gravatá (PE). Foram 20 dias de evento, sendo cada dia uma nova festa em uma comunidade diferente dentro do território do município, quase como um circuito de quadrilhas por toda a cidade. Relatos de moradores afirmam que as quadrilhas para eles são como as Escolas de Samba para os cariocas, e o São João é uma data mais aguardada do que o Carnaval para o povo Gravataense.
Traquejo, Raízes Nordestinas, Rastapé e Aconchego são algumas das quadrilhas locais que ensaiaram o ano inteiro para o grande momento, as performances mesclam canto com teatro e dança, entre figurinos elaborados e movimentos sincronizados as apresentações são verdadeiros espetáculos.




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