A Comunicação nas Religiões
- Jornalismocdh

- 24 de set. de 2019
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📷 Descrição para Cegos: formando um círculo, estão 13 religiões representadas por símbolos. Foto: Pixabay
Por Natanael Viana
A comunicação serve para a interação, para trocas de ideias e principalmente para a sobrevivência. Ela é essencial para a vida, podendo haver entre seres de uma mesma espécie, como por exemplo, micro-organismos com micro-organismos; vegetais com vegetais; animais com animais; seres humanos com seres humanos. Esse tipo de comunicação podemos chamar de comunicação terrestre, ou seja, comunicação entre coisas que existem sobre a Terra. No entanto, para as religiões e doutrinas a comunicação vai mais além.
A comunicação também serve para se relacionar com algo superior, se conectar com o Divino. É por meio dela que se faz a interação de homens e mulheres com santos, divindades, entidade, deuses e tudo que não faz parte desse plano astral. A comunicação também pode ser feita por almas, pelo espírito, podemos chamar esse tipo de interação de comunicação divina.
Dentro da comunicação temos a linguagem, esta é responsável de como a mensagem vai ser repassada, a linguagem pode ser caracterizada em dois tipos, verbal e não-verbal. A verbal, como o próprio nome diz, é a linguagem que se usa da palavra, seja ela oral ou escrita. Já a não-verbal é o contrário, nesse tipo de linguagem não há palavras, apenas figuras e imagens.
A linguagem é a ferramenta principal de comunicação para os seres humanos interagirem entre si e com o divino. Na história dos ensinamentos religiosos a comunicação sempre esteve presente, foram escrituras, diálogos, sons, imagens e objetos para a propagação de alguma fé.
ESCRITURAS
Nos nossos primeiros anos da escola somos incentivados ao hábito da leitura e da escrita, pois uma das formas de se conhecer algo é lendo. A escrita e a fala são maneiras eficazes de se contar algo, por meio dela somos capazes de ir além. Para as religiões isso não é diferente, as escrituras são essenciais, por meio delas os ensinamentos podem alcançar um público maior, atingindo assim, a grande massa. A maioria das religiões tentam seguir a risca o que as escrituras sagradas dizem, dentre tantas religiões, temos o Islamismo e o Catolicismo.
O islamismo é a religião dos muçulmanos, a religião foi criada no inicio do século VII pelo profeta Maomé, que inspirado por Deus escreve o Alcorão. O Alcorão é o livro sagrado dos muçulmanos, eles acreditam que o é a palavra literal de Deus, estima-se que o Alcorão foi escrito dentro de 23 anos. Assim como todos os livros, o Alcorão possui ensinamentos e é isto que os muçulmanos seguem, a Palavra de Deus.
Em outra via temos o Catolicismo, a religião utiliza um livro bem parecido com o Alcorão quando o quesito é história de criação de textos, a Bíblia é este livro. No entanto, não é só no catolicismo que faz o uso da Bíblia, muitas religiões utilizam esse livro inspirado por Deus, algumas delas são o Protestantismo e a Igreja Ortodoxa. Diferente do Alcorão, a Bíblia não foi escrita só por uma pessoa, não se sabe ao certo quantos foram, mas estima-se que a Bíblia é um conjunto de mais de 40 autores em um único livro que foi escrito no decorrer de 1500 anos.
DIÁLOGOS
Desde pequenos somos incentivados a dialogar com os outros, na escola aprendemos a interagir com os nossos colegas, para que no futuro aprendamos a debater e questionar as mais diversas coisas. A conversação é uma forma de troca de saberes, nela é possível visualizar a interação simultânea entre pessoas, no diálogo temos a possibilidade de falar e ouvir, ensinar e aprender ao mesmo tempo.
Para as religiões de matrizes africanas, que não possuem um livro como base, a oralidade é a forma utilizada para os ensinamentos religiosos. Tanto na Umbanda, quanto no Candomblé, essa é a única forma de repassar conhecimentos.
Em uma hierarquia de posições, o Pai de Santo vai passando as informações para os participantes dos Terreiros, os escolhidos para seguirem os passos do ‘mestre’ passam por uma espécie de “retiro espiritual”, um mês inteiro dentro do Terreiro aprendendo as mais diversas coisas sobre a religião.
SONS
Por meio dos sons somos capazes de sentir as mais variadas emoções no decorrer de nossas vidas. Em um show de um artista a música faz com que a gente se emocione, faz nossos corpos reagirem, uns riem, outros choram, não importa a forma de expressar o sentimento, o que importa é o que está sendo sentido.
Nas regiões, os sons além de emocionar, são janelas para a entrada do Divino. Nos retiros religiosos da igreja Sara Nossa Terra, a música é a principal ferramenta de oração, no momento da canção muitas pessoas atingem o nível máximo de suas espiritualidades, muitos desabam em lágrimas.
Nos rituais de Umbanda e Candomblé o toque da macumba é algo de arrepiar, quando ecoa no salão três batucadas no instrumento já se sabe que a festa vai começar. Em seguida, os chocalhos de cabaças começam a tremer, tudo bem sincronizado para completar a melodia e, por fim, vozes se juntam. Vozes de diversos tons. Em todo o decorrer da história temos música, temos sons, sejam eles para comemorar ou não, mas sempre estiveram presentes na história da humanidade para reforçar os nossos sentimentos.
IMAGENS
A humanidade é a raça que mais preza as imagens. Pois bem, desde sempre usamos as imagens para repassar uma mensagem, recordar de algum momento ou simplesmente ter admiração por aquilo que a imagem representa. As imagens podem ser artigo de luxo, como um quadro de algum pintor famoso, ou apenas possuir um apego afetivo, como uma foto de família.
No entanto, em algumas religiões, as imagens servem para serem admiradas, pois são a representação de algum ser. O catolicismo é uma das religiões que mais se faz o uso de imagens em suas igrejas, sempre vemos uma imagem de algum santo sobre o altar, um santo que é padroeiro de determinada igreja, por exemplo, na Igreja Nossa Senhora de Aparecida se tem a imagem da santa em um altar. Os católicos se comunicam com os santos olhando para as imagens, demonstrando sua fé e respeito à representação deles.
OBJETOS
Já na infância, começamos a querer as nossas coisas, ter os nossos próprios brinquedos e roupas, ter algo que possamos chamar de “nosso”. Na adolescência, o nosso desejo de possuir algo aumenta, queremos o celular do momento e equipamentos que nos atraem. Na vida adulta o que queremos é estabilidade financeira e emocional, mas almejamos ter a nossa casa própria e um veículo de locomoção, como por exemplo um carro.
Nós humanos somos apegados a objetos, seja pelo motivo de acúmulo ou pelo afeto. Para as religiões, alguns objetos têm outro sentido, eles servem também para a proteção dos indivíduos e outros são utilizados em momentos de oração. Terços, guias, crucifixo, hijab, são objetos que simbolizam a proteção, mas são muitos objetos sagrados que existem. Objetos que para fiéis os aproximam do Divino.
Para Josy Santiago, mulher candomblecista, a guia do seu santo, nesse caso Xangô, não representa só proteção, o significado do objeto para ela vai mais além. “As guias identificam quem eu sou, qual é meu santo”, diz Josy. Maria do Socorro, católica, está sempre com o terço, além de ser devota de Nossa Senhora de Fátima, o objeto para ela não possui apenas a finalidade de oração: “eu me sinto protegida”, diz Socorro.

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