A arte no meio da hostilidade
- Jornalismocdh

- 31 de jul. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de ago. de 2019

Descrição para cegos: Foto da fachada da frente do Cine Bangüê. Há uma placa escrita “Cine Bangüê”, ao lado há um cartaz de um filme escrito “Bacurau”.
Por Mikaely Rocha
Movimentar o corpo até um local, se estabelecer nele e adentrar numa nova realidade, é o que acontece quando nos colocamos diante de um filme no cinema – a imagem e o movimento, a narrativa e o som: isso é a cultura refletida e concretizada, e seu acesso é um direito de todos.
Pensando nisso, há espaços como o Cine Bangüê, que traz o nome de uma das obras literárias de José Lins do Rêgo, escritor paraibano. O cinema é localizado no Espaço Cultural que leva o nome do escritor, em Tambauzinho, na capital pessoense. Mas o que torna tal cinema uma possibilidade dentro de incertezas no mundo artístico é sua seleção de filmes e documentários que se desviam dos circuitos comerciais, dessa forma, incentivam a produção local e independente, além de ter um seu preço acessível (R$10 reais inteira e R$ 5 reais para estudante), sem mudanças nos fins de semana. Além disso, o Bangüê realiza sessões gratuitas para instituições que trabalham com grupos de todas as idades.
A Agência Nacional de Cinema (Ancine), no governo do Presidente Jair Bolsonaro, passa por uma suspensão de verbas do Tribunal de Contas da União, devido a alegação de irregularidades na fiscalização da gerência de recursos nos projetos. Além disso, os campos mais conservadores ligados a direita parlamentar, insistem numa revisão na produção cultural do país, que segundo eles causa uma ameaça aos “bons costumes da família tradicional brasileira”.
A campanha presidencial de Bolsonaro foi construída sobre ataques à políticas culturais – especialmente à Lei Rouanet. Essa reprovação, que antes se externava apenas em seu discurso, hoje se mostra solidificada da maneira mais hostil, onde a privação de capital afeta diretamente uma camada da sociedade que tem a arte como fonte de renda. No entanto, há a arte no meio da hostilidade.
A gerente operacional de audiovisual e programadora do Cine Bangüê, Cristhine Lucena, afirma que “a ideia é favorecer o acesso à cultura cinematográfica com o viés da formação de público. Assim, tentamos cumprir com o papel do estado em democratizar o acesso aos bens culturais e fortalecer as ações de promoção à cultura”, informa.
Em tempos sórdidos enfrentados no Brasil, afetando a arte em geral, ambientes que fomentam a produção nacional se tornam essenciais para um espaço de constância no que há de melhor no Brasil: a cultura.
É oportuno rememorar a ideia que a cultura e a democracia são indissociáveis, sendo a cultura o meio de reprodução e conservação de um povo, e a democracia um sistema que preza pela liberdade de escolha, ante isso a liberdade de expressão.




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